Fuja de Cronos

Ansiedade pode ser entendida de várias maneiras. No dicionário encontramos ansiedade como sinônimo   de inquietação, agitação, excesso de agonia. Na psicopatologia, condição emocional de sofrimento pela expectativa de um acontecimento inesperado e perigoso, diante do do qual o indivíduo se acha indefeso. Mas não vou me deter na definição porque acredito que de certa forma todos já a sentiram em maior ou menor grau. Quero colocar luz em uma das causas da ansiedade, a a gestão do tempo.

Vivemos no tempo de Cronos, deus grego que a tudo devora. O tempo linear não perdoa e não tem volta. Corremos contra o tempo porque não podemos perder. Afinal, como sempre nos é lembrado, tempo é dinheiro. A pressão é constante e implacável. A vida em  São Paulo, uma das maiores metrópoles do mundo, em seu ritmo  é complexa e caótica.

Como não adoecer? Como não viver no modo estressado tão prejudicial ao nosso corpo e psique?

Por outro lado, Cronos tem um filho, Kairós, que traz outro conceito. Tempo, tempo de existir, de ser. A dimensão linear do tempo se perde. Fora do presente nada existe.

As crianças quando pequenas têm facilidade de ficar no tempo de Kairós. Quando estão imersas nas brincadeiras nada mais existe, nada mais importa. Os adultos que se desviaram podem se reencontrar com Kairós. Cada um deve buscar seu meio. Às vezes, para podermos reencontrá-lo é preciso paciência, dedicação e resiliência. Mas é plenamente possível.

– No meu caso, utilizo o artesanato e a meditação. Nessas atividades estou inteiramente presente. Aos poucos tenho expandido essa vivencia vivência para todas as outras atividades que faço.

Um grande desafio que vivemos é de estar inseridos no tempo de Cronos e não permitir que nos devore. Se o estresse é muito, busque Kairós, busque o seu centro e pratique a atenção plena e o cuidado amoroso consigo mesmo.