Primeiro post do blog

Quando acumular objetos é normal ou indício de um problema maior?

Neste texto irei trazer algumas situações que levam as pessoas a consumirem e explicarei que situações devem ficar atentos pois pode estar indicando um problema maior.

As pessoas normalmente gostam de ter objetos. Desde pequenas vivenciam a alegria de ganhar. Os pais, tios, avós e amigos sentem muito prazer em dar presentes e acabam exagerando.  Conheço crianças que com quatro anos ao juntar todos os avos de chocolate, tinha 4kg de chocolate nas mãos. Outra que com 9 anos já tinha 120 bonecas  Monster high. Nas festas infantis a falta de bom senso é ainda maior. Além do Buffet, milhares de doces e refrigerante, a criança sai da festa não com uma lembrancinha, mas com uma caixa de lembrança com mais doces ainda. A festa em si não é suficiente para despertar lembranças. Aos poucos vão esquecendo que o prazer deveria estar na ação de brincar e não em ter objetos.

Quanto adultos, os comerciais estão sempre informando que o seu valor, esta ligado ao seu poder de consumo.  Quanto mais puder consumir e ter, melhor. Tem um vídeo de 20 minutos na internet, feito por Annie Leonard uma economista americana , bem esclarecedor  do ciclo de consumo e dos produtos que fala entre outras coisas, o quanto somos programados para consumir.  Vale a pena assistir.  O nome é The Story of Stuff.

Bem vivemos num mundo consumista e somos incentivados a consumir isso não é difícil entender, mas porque as pessoas acumulam tanto? Porque as pessoas chegam ao ponto de acumular até colocar sua vida em risco?

Sim acumular pode ser uma doença. Pode ser tanto um sintoma de uma doença como consequência de um depressão, esquizofrenia, TOC,  como um um transtorno mental , o TRANSTORNO DE ACUMULAÇÂO que foi só recentemente classificado no DSM 5 Manual de referencia de Doenças Mentais.

Para ser considerado uma doença é preciso anos de pesquisa e a definição bem clara dos sintomas. Os sintomas do transtorno de acumulação:

  1. Dificuldade persistente e descartar ou de se desfazer de pertence, independente do seu valor real.
  2. Esta dificuldade se deve a uma necessidade percebida de guardar os itens e ao sofrimento associado ao descarta-los;
  3. A dificuldade de descartar os pertences resulta na acumulação de itens que congestionam e obstruem as áreas em uso e comprometem substancialmente o uso pretendido;
  4. A acumulação causa sofrimento significativo ou funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo;

E A acumulação não é devido a outra condição médica;

F A acumulação não é mais bem explicada pelos sintomas de outras doenças.

Os programas que passam na TV sobre os acumuladores mostram pessoas que estão vivenciando casos extremos de apego e acumulo,  provavelmente com transtorno de acumulação e outras  doenças associadas. Mas este nível de acumulo não acontece de um dia para outro. São anos para chegar neste ponto.

Então volta a pergunta? Como saber se o apego aos objetos que não é indicio de um problema maior?

Ter objetos é um desejo, mas deve ser controlado pela razão. A emoção deve respeitar a razão que está conectada com a realidade. Para exemplificar: Posso desejar todos os lindos sapatos que vejo na vitrine, mas onde vou coloca-los no meu apartamento  de sessenta metros quadrados? Quando e onde vou usar todos estes sapatos? Posso juntar todos os objetos interessantes que vejo para fazer artesanato,  pois tenho ideias criativas para cada um deles. Mas… Quando vai ter tempo e energia para fazer tudo isso?

É perceptível um problema quando estes questionamentos de realidade não são suficientes para que a pessoas desapegue do objeto.  Quando gradativamente a relação com as pessoas passam a ser menos importante do que a relação com os objetos em si.

Muitas pesquisas tem demostrado a relação da felicidade com as relações humanas. A pesquisa mais longa realizada que durou 75 anos, feita pela universidade de Harvard concluiu que são as relações pessoais que garantem melhor saúde  física e mental.

 

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